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Por Carine Biscaro

O empresário Luiz André Tissot optou por decisões ousadas em época de crise e resseção no mercado mundial. Confira a matéria retirada do jornal Zero Hora (01/06/09):

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Ousadia na crise  
 
Ele faz mais ou menos o contrário do que pregam os livros de gestão. Se, em momentos de crise, a maior parte do empresariado coloca o pé no freio e aguarda um horizonte de dias menos turbulentos, o líder de 650 trabalhadores faz o contrário. Tira da gaveta planos de expansão e avança. Vale mais o instinto e não tanto o planejamento. Enquanto os concorrentes se encolhem, Luiz André Tissot mira exatamente no sentido inverso. Sai à procura de oportunidades de crescimento e garante que as encontra:

– É na crise que achamos as boas oportunidades de negócios. Aqui na empresa, a palavra crise foi abolida totalmente e trocada por trabalho, muito trabalho, equipe e crescimento. É acreditar no que se faz.

Provas? O empresário gramadense diz que há várias. Nos Estados Unidos, por exemplo, André procura, no momento, um local para expandir a rede Sierra Móveis no mercado norte-americano. Com os preços depreciados pela crise que varre economias de continente a continente, acredita que, por um bom valor, vai encontrar um espaço para o centro de distribuição que, em breve, estará encaminhando seus produtos diretamente aos pequenos lojistas do maior mercado mundial.

Mas os indícios de suas teorias vão além. Se a economia deste ano é marcada por um gráfico em queda livre, a do caçula dos seis filhos do pedreiro e ferreiro Luiz e de Odila vive um ritmo bem mais frenético e já planeja encerrar o ano com receita de R$ 50 milhões, invejáveis 20% acima do ano passado. É isso mesmo, ele quer crescer 20% em ano de crise, quando os balanços de boa parte das empresas fecharão no vermelho.

Só em inaugurações, vai cortar a fita de mais oito novas lojas neste ano que vão se somar às 62 atuais. Apenas para se ter uma ideia: o mercado catarinense vai ganhar três nos próximos 90 dias. E, nesse mesmo período, vai chegar a Angola e, ainda este ano, à Bolívia e ao Chile. Lançamentos de produtos, então, superam um por dia – são mais de 400 por ano, duas coleções a cada semestre. E muita tecnologia nisso tudo que, só em 2009, exigirão investimentos de R$ 7 milhões para fazer frente à venda de cerca de 8 mil peças mensais.

Não é para menos. Além das exigências dos consumidores, o olhar de André, que nasceu há 54 anos, quando Gramado se emancipou de Taquara e virou município, está voltado aos clientes no Exterior. Hoje, exporta para 32 países e tem 12 franqueados em cidades estrangeiras. Se os russos preferem mais móveis com cores berrantes e desenhos dourados e prateados, os clientes de Dubai, como a característica do país onde vivem, são fãs de produtos de linhas mais modernas.

E tem mais. Para não ter problemas de conservação e durabilidade, o mesmo móvel que aguenta os 40ºC de Dubai e os 40ºC negativos de Moscou deve passar por técnicas especiais com base em tecnologia diferenciada, processo técnico de secagem da madeira. Ganhos de qualidade são obsessão para André, que separa parte de suas 12 horas diárias de trabalho para cuidar da importação de maquinário do Canadá, Alemanha e Itália e que, no final do projeto, irá redundar na exposição de seus produtos, no próximo ano, em Milão. A tradução disso tudo é uma só.

– Teremos um certificado de credibilidade que serve para o mundo inteiro, embora já sejamos competitivos de igual para igual com os italianos – diz o pai do gremista Arthur e do colorado Gustavo (em casa, o Gre-nal termina empatado, pois os pais também se dividem quanto à torcida).

E, de olho na política ecologicamente correta, em dois a três anos ele espera estar exportando só com madeira maciça de reflorestamento de eucalipto, outro selo que reforçará sua presença no Exterior.